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A partir de 1999 passei a escrever com regularidade nos Boletins da Sociedade Philatelica Paulista. O primeiro artigo foi escrito a duas mãos, juntamente com o editor do boletim, Sr. João Roberto Baylongue que me deu oportunidade e ainda forneceu o material para pesquisa. O titulo do artigo "A Espionagem na Filatelia". Neste espaço vou reproduzir as matérias e as capas dos boletins em que foram publicadas. Algumas alterações nos textos se fazem necessárias e algumas imagens foram inseridas para uma melhor ilustração, erros ortograficos também foram corrigidos.   

A ESPIONAGEM NA FILATELIA

Quando garotos, nossa imaginação sempre nos leva a diversas aventuras. Podíamos ser ao mesmo tempo mocinhos de um filme ou um herói que no final sempre acaba ficando com a mocinha. Ao assistirmos um filme, normalmente nos identificamos com o principal personagem. Quase sempre com o que passa pelas maiores dificuldades e no fim consegue se sair bem. Um desses personagens que até hoje causa uma empatia muito grande e o famoso espião 007 figura 1 (imortalizado pelo do ator Sean Connery). Em seus filmes, o glamour e as belas moças dão um toque especial a essa atividade, que na verdade as vezes nada tem do charme que o cinema nos mostra. Como não podia deixar de ser, na filatelia também podemos contar um pouco sobre a espionagem. Alguns espiões (de bom gosto, diga-se de passagem) usaram os nossos queridos selos para passar informações sobre atividades ou movimentos de tropas, ou ainda as mais diversas mensagens, principalmente durante os anos de guerra e pós-guerra. Nesse jogo de gato e rato, os sensores também tiveram um papel primordial, pois a caça aos espiões, muitas vezes dependiam a vida de milhares de pessoas. E nesse papel, não raras vezes havia excesso e isso proporcionava as mais diversas situações.Um caso que nos mostra uma das artimanhas usadas pelos espiões, em que o uso de correspondência aparentemente comum era   

Fig 01 - Bloco com selos emitido pela Inglaterra em 2008 com cartazes dos filmes do 007. 

na verdade apenas um artificio para a troca de informações entre a antiga Alemanha Oriental e um de seus espiões em nosso território.

É o caso: Joseph Werner Leben! 
Caia a noite do dia 11 de julho de 1962, após algumas evidencias foi detido em seu apartamento na Av. Paulista o cidadão alemão Josep Werner Leben.
Apanhado de surpresa o agente não esboçou qualquer resistência.

Werner nasceu na Alemanha Ocidental em Dortmund onde realizou os seus primeiro estudos, na época de sua prisão contava com 30 anos. Revelando desde cedo qualidades artísticas Werner cursou a universidade de Dusseldorf, onde se diplomou em artes gráficas (curso de nível universitário). Werner como todo o artista, gostava de frequentar meios boêmios e as suas noites eram divididas entre boas doses de bebida e belas mulheres. Possuindo boa cultura, dominando perfeitamente o inglês e razoavelmente o português, dotado de uma simpatia pessoal cativante, foi muito fácil de se introduzir em nossos meios sociais. Cínico e calculista Werner aparentava uma inocência de rapaz simples e inofensivo. Calmo e educado estava física e psiquicamente adequado para a função de espião.
Após a prisão, seu apartamento foi cuidadosamente revistado, e encontrado farto material relacionado com sua atividade secreta. Em meio a todo esse material, uma grande quantidade de correspondência. Examinada cuidadosamente a correspondência verificou-se que de vários envelopes haviam sido retirados os selos enquanto outras se encontravam intactas. Quando questionado sobre o destino dos selos, Werner com naturalidade disse que retirava os selos para oferecer a amigos que os colecionavam. Não fosse por uma observação mais apurada, nada de mais natural que oferecer os selos a amigos, pois à época a filatelia era muito mais divulgada. Só que haviam também algumas que ainda se encontravam com os selos. Em meio a estas foi encontrado um cartão postal
figura 02 remetido a Werner com a seguinte mensagem em alemão: 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Boletim da Soc. Philatelica Paulista  de dezembro de 1999.

Fig 02 - Cartão Postal encontrado nas
correspondências de Werner. 

27\05\1961 - Querido Werner!
Recebi sua carta muito obrigada
Hoje, uma saudação da bela Berlim.
Escreva-me com maior frequência, pois eu me alegro em receber suas cartas. Como vão os seus negócios, eu daria o conselho de intensifica-los, as suas ordens saudações cordiais da sua Rita.    

Aparentemente uma mensagem inocente de cordialidade, mas que na verdade expressa o descontentamento da S.S.D. (serviço secreto da antiga Alemanha Oriental) pelo fato de Werner não estar cumprindo com as suas obrigações, e ao mesmo tempo era uma advertência dada sob forma de conselho para que ele intensificasse as suas atividades. Se Werner tivesse dispensado maior atenção a esse cartão a policia não teria encontrado a maior prova contra ele. Sob um dos selos que se encontrava colado sobre o cartão estava escondido um microfilme figura 03 portador de uma mensagem. Werner ignorava a existência desse microfilme e ao lhe ser exibido mostrou-se surpreso. Mas diante das evidencias foi obrigado a confessar que recebera outros microfilmes sempre acondicionados na altura do ultimo selo. Esse microfilme foi a maior prova contra o espião Joseph Werner Leben. No dia 18/09/1962 a justiça militar com fundamento no art. 25 da lei nº802 que previa crimes contra a segurança nacional condenou Werner a 18 anos de reclusão.

Fig 03 - Imagem do local
do microfilme. 

Um outro fato curioso em relação a caça aos espiões ocorreu com o diretor de uma revista filatélica, a U.P.A.S. (União Philatelica da America do Sul). Como quase todas as cartas eram abertas pela censura após e durante os períodos de guerra, o Sr. Ernesto Chelmicki se tornou um frequentador habitual do departamento de censura, para onde recebia sempre o convite figura 04 para dirigir-se para dar explicações sobre umas determinadas listas com uma sequencia de números. Pois se suspeitava que fossem algum código secreto.  

E ai meus amigos até se explicar que eram astão comuns MANCOLISTAS....
 (mancolistas é o nome dado as listas de faltas na coleção)

Fig 04 - "Convite" para comparecimento

Outro caso muito citado ocorreu com a censura inglesa em correspondência enviada dos EUA e dirigida a determinado pais em conflito. Esse fato foi amplamente divulgada por varias revistas filatélicas. A História é o seguinte: em uma remessa de selos aparentemente normal, enviada de um suposto colecionador americano, para outro em um país europeu. A remessa se compunha de 50 selos colocados em classificador ou em cartelas normalmente usadas para esse fim. Prestando-se um pouco de atenção verificou-se que com a 1ª letra do nome de cada país e na ordem que estavam classificados formava-se uma mensagem. figura 05 Simples não!!!!!   

Fontes:
Um espião em São Paulo - Lamartine B. Mendes - Serviço da Secretaria de Segurança Publica. Ed. de 1962.
Revista UPAS nº 07 de 30/11/1919
Brasil Filatélico nº 222 de dezembro de 1997 - Artigo do Sr. G.M.Faria Braga 

Fig 05 - Imagem de classificador com selos. 

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